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As praxes, os hipócritas e os moralistas

por Saltita, em 02.02.14

 

Ainda não falei aqui sobre o assunto do momento, porque simplesmente às vezes o tempo tem de passar para que consegamos ser objectivos. 

Neste caso, acho que nunca conseguirei. Também eu fui estudante, praxei e fui praxada numa altura é que simplesmente não se questionava. Fazia-se aquilo que nos faziam e a ideia é que tudo não passasse de um "brincadeira séria". Achavamos nós que impunhamos respeito com meia duzia de gritos e palhaçadas, mas era uma espécie de encenação que normalmente acabava numa noite bem passada e em boas recordações.

 

No 3º ano fui eleita representante do meu curso, junto de uma pseudo-elite universitária que me irritava pelo sectarismo e pelos exageros copofónicos que nao faziam de todo parte da minha maneira de estar. Fui a uns jantares, mas saí. Nunca vi humilhações em 5 anos de vida académica mas também ninguém me leva a lugares a onde não me sinto bem.

 

O espírito académico implica responsabilidade e deixa saudade. Ele é saudade. É uma forma de marcar um momento que não queremos esquecer, porque nao se voltará a repetir. Vivi com orgulho esses momentos e ainda hoje guardo o meu traje, as minhas fitas e olho para eles com carinho. O espírito académico é mais do que praxes ou copos.Só quem lá esteve e VIVEU, saberá.

 

 

 

O que aconteceu no Meco, foi que um grupo de jovens se juntou para preparar a passagem dos alunos a caloiros. Juntaram-se numa casa. Foram para o mar, perto da rebentação, em pleno Dezembro. É estranho? Quem não fez coisas malucas aos 20 anos? Mas as vezes a história é diferente. Acaba mal. Aqui veio uma onda e acabou. As pessoas querem culpados. É normal e compreensível.

 

Agora as praxes são as piores coisas que podem acontecer na vida de um jovem. São actos de humilhação. Brutalidades. E aparecem os politicos a criticar. Esses que devem ter muita moral em relação a actos de humilhação e brutalidade. É ridículo.

Uma reportagem na televisão confirma a brutalidade. Jovens a caminhar em estrume de vaca. A simularem actos sexuais. E de repente começamos a pensar que já somos pais e nao gostavamos que fizessem isto aos nossos filhos.

 

Algures, no caminho, algo que sempre se fez aos olhos de toda a gente,torna-se um crime público. Quanta hipocrisia.

 

Em toda esta reflexão o que mais me custa são esses miúdos. A vida deles não volta, provavelmente nada teve que ver com praxes. O que me custa, é que todos os sonhos da juventude morreram com eles naquela praia.  As praxes de uma forma ou de outra, os hipocritas e os moralistas hão de sempre continuar.

publicado às 11:48




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